Mutilações e normatizações do corpo feminino - Entre a Bela e a Fera
Tânia Fontenele - Mourão[1]
Um pesado silêncio continua recobrindo os sofrimentos do corpo da mulher no mundo: infanticídios e mutilações sexuais de meninas, casamentos forçados, prostituição imposta, violências domésticas, cremação de viúvas (sati) na Índia, devastação pela AIDS na África, o véu do integrismo religioso... São muitos os gritos na noite das mulheres. (Michelle Perrot, 2003)Cada vez mais freqüentemente são relatados casos de mortes de mulheres ou danos graves à sua saúde ocasionados por tratamentos extremos de “práticas da feminilidade” (escovas progressivas, dietas rigorosas, tipos variados de depilação, excessos em procedimentos cirúrgicos reparadores ou de cura). O que leva as mulheres a passarem por tantos sacrifícios? Estariam as mulheres mais propensas a terem seus corpos mutilados?
Vistos historicamente, o disciplinamento e a normatização do corpo feminino – talvez as únicas opressões de gênero que se exercem por si mesmas; embora em graus e formas diferentes, dependendo da idade, da raça, da classe e da orientação sexual, têm de ser reconhecidos como uma estratégia espantosamente durável e flexível de controle social, por meio de disciplinas rigorosas e reguladoras. Dietas, maquiagem, e vestuário representam princípios organizadores centrais da vida de muitas mulheres, que se sentem menos capacitadas para as intervenções sociais e mais inclinadas a infindáveis retoques em seus corpos.
Bordo (1997:82) afirma que, induzidas por essas disciplinas, continuam a memorizar em seus corpos o sentimento e a convicção de carência e insuficiência, a achar que nunca estão suficientemente boas. Nos casos extremos, as práticas de feminilidade podem levar muitas vezes à absoluta desmoralização, à debilitação e à morte.
Através da busca de um ideal evanescente, homogeneizante, sempre em mutação – uma busca sem fim e sem descanso, que exige das mulheres constantes mudanças insignificantes e muitas vezes extravagantes da moda – os corpos femininos tornam-se o que Foucault (1979:135-169) chama de “corpos dóceis”: aqueles cujas forças e energias estão habituadas ao controle externo, à sujeição, à transformação e ao “aperfeiçoamento”. Não sem uma dose de ironia, vemos a coincidência significativa entre a docilidade e sua efetiva apropriação pelos corpos femininos.
Bourdieu (1997:117) sustenta que o corpo também pode funcionar não apenas como um texto da cultura. Ele aponta que o corpo é um lugar prático direto de controle social. De forma banal, através das maneiras à mesa e dos hábitos de higiene, de rotinas, normas e práticas aparentemente triviais, convertidas em atividades automáticas e habituais, a cultura “se faz corpo” como afirma Bourdieu (1977:94).
Na História da Sexualidade, volume I, Foucault (1978:136) salienta que, por meio da organização e regulamentação do tempo, espaço e dos movimentos de nossas vidas cotidianas, nossos corpos são treinados, moldados e marcados pelo cunho das formas históricas predominantes de individualidade, desejo, masculinidade e feminilidade. Nesse sentido, Bordo (1997:25) afirma que nunca, em nenhum outro momento histórico, nós, mulheres, gastamos tanto tempo em busca de uma forma ideal de corpo.
O corpo – o que comemos, como nos vestimos, os rituais diários através dos quais cuidamos dele – é um agente da cultura. Como defende Douglas (1982, citado por Bordo,1977:19), ele é uma poderosa forma simbólica, uma superfície na qual as normas centrais, as hierarquias e até os comprometimentos metafísicos de uma cultura são inscritos e assim reforçados através da linguagem corporal concreta.
O corpo também pode funcionar como uma metáfora da cultura. Em autores tão diversos como Platão, Hobbes ou a feminista francesa Luce Irigaray, uma imagem mental da morfologia corporal tem fornecido um esquema para o diagnóstico e/ou visão social e política. Em 1887, George Romanes[2] atribuía ao cérebro feminino total ausência de originalidade, já que na época a neuroanatomia afirmava o fato de a mulher ter um crânio menor do que o do homem era o fundamento de uma real disparidade entre inteligência masculina e feminina. O raciocínio desenvolvido, então, era um círculo perfeito: a mulher era inferior intelectualmente por determinações biológicas, mas em compensação, tinha superioridade nas habilidades ditas instintivas e perceptuais, o que por sua vez a tornava presa fácil da emotividade, levando-a, portanto, a não prescindir do guia e protetor masculino. Esse estereótipo da emocionalidade ligado à feminilidade é ainda fortemente enraizado em nossa cultura até hoje.
Simone de Beauvoir já afirmava na década de 40:
As mulheres hoje estão derrubando o mito da feminilidade; elas começam a afirmar concretamente sua independência; mas não é sem dificuldades que elas conseguem viver integralmente sua condição de ser humano (BEAUVOIR, 1949: 9).
Não sem razão, Perrot (2003:47) afirma que há muito as mulheres são as esquecidas, as sem-voz da História e isto pesa primeiramente sobre o corpo, assimilado à função anônima e impessoal da reprodução. O corpo feminino, em contrapartida, é onipresente no discurso dos poetas, dos médicos ou dos políticos, em imagens de toda a natureza: quadros, esculturas, cartazes, que povoam nossas cidades. Mas esse corpo exposto, encenado, continua opaco. Objeto do olhar e do desejo, fala-se dele. Mas ele se cala. As mulheres não falam, não devem falar dele. O pudor que encobre seus membros ou lhes cerra os lábios é a própria marca da feminilidade.
O corpo feminino, silencioso e dissecado, continua sendo o principal suporte da publicidade. Desde os comerciais de um adoçante artificial até inúmeros comerciais onde a exploração da imagem das mulheres é praxe. Por exemplo, num deles, um galã de novelas, identificado como um conquistador nos diversos personagens que realiza - sempre aparecendo em cena com o peitoral e os bíceps à mostra - recomenda o uso do adoçante e sua voz, ao fundo, deixa em evidência diversas mulheres, lindas, seios vantajosos e sensuais, adoçando sucos e cafés, tornando tudo “delicioso e apetitoso”, numa clara alusão e aproximação com as insígnias dessas exuberantes mulheres-objeto.
Por outro lado, há de se considerar que atualmente é difícil evitar o reconhecimento de que a preocupação contemporânea excessiva com a aparência, que ainda afeta as mulheres de maneira muito mais acentuada que os homens. Essa postura, reafirma as configurações de gênero existentes, contra quaisquer tentativas de substituir ou transformar relações de poder mesmo em nossa cultura narcisista e visualmente orientada; isso pode ocorrer como um fenômeno de “recuo”. [3] A descrição do ideal estético contemporâneo para mulheres, objetivo cuja busca obsessiva se tornou tormento central das vidas de muitas delas, vem favorecendo a incidência e o aumento da anorexia nervosa, bulimia e outras patologias.
Percebe-se também desde a década de 80, um inegável aumento da preocupação masculina com a aparência. Estudos após estudo confirmam, no entanto, que ainda existe nesta área um grande hiato de gênero. Uma pesquisa realizada em 2005 pela Universidade de Pensilvânia revelou que os homens, de modo geral, estão satisfeitos com sua aparência, muitas vezes “ [...] distorcendo suas percepções de si mesmos de maneira positiva, auto-congratulatória” (JGE,2005). Entretanto, descobriu-se que, para as mulheres, os valores e distorções da percepção corporal são extremamente negativos. Outros estudos sugeriram que as mulheres são julgadas com muito mais rigor que os homens, quando se desviam dos padrões sociais dominantes de atratividade. A revista Psychology Today ( 2006, v 61 n 3:204-217.) reporta que enquanto a situação dos homens vem mudando nos últimos anos, a das mulheres piorou, mais que proporcionalmente. Citando resultados de 30.000 respostas a um levantamento sobre as percepções da imagem do corpo e comparando respostas semelhantes a um questionário de 2002, a revista revela que as pessoas que responderam em 2005 estavam consideravelmente mais insatisfeitas com seus corpos do que as que responderam em 2002 e nota uma marcante intensificação da preocupação entre os homens. Entre os de 2005, o grupo mais insatisfeito com sua aparência, era, no entanto, o de mulheres adolescentes entre 12 e 19 anos. Hoje em dia, as mulheres são de longe, as maiores consumidoras de produtos dietéticos, freqüentadoras de spas e centros de dieta e pacientes de cirurgias do tipo “desvio intestinal” e outras redutoras de gordura e continuam insatisfeitas com sua imagem.
Helena Michie (1987:149), em trabalho significativamente intitulado The Flesh Made Word (A carne feita palavra) examina representações do século XIX sobre mulheres, apetite e alimentação. Michie (1987:13) estabelece relações metafóricas entre o padrão feminino de comer e a sexualidade feminina. A fome feminina, sustenta ela, “[...]supõe desejos indizíveis de sexualidade e poder”. Ela exemplifica essa questão com o “tabu representacional” do romance vitoriano de não se referir às mulheres comendo (aparentemente, uma atividade que só “acontece nos bastidores” como diz Michie; funciona como um “código” para a supressão da sexualidade feminina, seguindo a norma cultural geral exibida em manuais de etiqueta e sexo, que prescrevem à mulher bem-educada comer pouco e delicadamente. A mesma codificação continua presente, afirma ela, nas “inversões” feministas contemporâneas de valores vitorianos, que celebram a sexualidade feminina e o poder femininos, mostrando-os de forma explícita, exuberante e alegre. (Michie,1987:13)
Bordo (1997:36) critica a análise de Michie (1987:149) que apesar de enfocar questões referentes à alimentação e às práticas de comer, não menciona as graves desordens alimentares que vieram à tona no final do século XIX e que estão devastando as vidas de mulheres jovens hoje. Nesse sentido, Bordo aponta que as mulheres têm sido particularmente mais vulneráveis as chamadas “desordens” que tem variado historicamente: neurastenia e histeria na segunda metade do século XIX; agorafobia e, de forma extremamente dramática, anorexia nervosa e bulimia, na segunda metade do século XX – muitos casos foram descritos, geralmente dentro do contexto do diagnóstico de histeria (Showalter 1985: 128-129) . De toda forma, Showalter(1985:128) considera que lidar com desordens alimentares em grande escala é tão característico da cultura dos anos 80 como a epidemia de histeria o foi para a era vitoriana.
Na agorafobia e ainda mais dramaticamente na anorexia, a desordem, embora trágica, apresenta-se como virtual paródia das interpretações de feminilidade do século XX e XXI. Os anos 50 e o início dos anos 60, quando a agorafobia começou a aumentar progressivamente entre as mulheres, revelavam a reafirmação da domesticidade e da dependência como ideais femininos. “Mulher que trabalha e faz carreira” tornou-se uma expressão insultuosa, muito mais do que tinha sido durante a 2ª guerra, quando a sobrevivência da economia dependia da boa vontade das mulheres para executar o “trabalho dos homens”. A ideologia reinante da feminilidade, tão bem descrita por Betty Friedan (1962) e perfeitamente captada no cinema e na televisão da época, era a de uma mulher infantil, insegura, indefesa sem um homem, “contente num mundo de quarto e cozinha, sexo, bêbes e lar” (Friedan, 1962:36). A pessoa agorafóbica, confinada em casa, vive literalmente essa construção da feminilidade. “Você quer dependência? Eu lhe darei dependência!” – proclama ela com seu corpo. “Você quer um lar? Você me terá no lar - demasiado!”. A agorafobia descrita por Fodor (1979: 119) parece a “[...] extensão lógica – embora extrema – do estereótipo cultural do papel sexual das mulheres” nessa época.
Patologias do protesto feminino
No final dos anos 60 e começo dos anos 70, a objetivação do corpo feminino constituía uma séria questão política. Toda a parafernália cultural da feminilidade, o aprendizado para agradar visual e sexualmente através das práticas do corpo – imagens da mídia, concursos de beleza, saltos altos, cintas, maquiagem, orgasmo simulado – eram vistos como cruciais na manutenção da dominação de gênero. (BORDO, 1997:35)
As patologias de protesto feminino funcionam paradoxalmente como se estivessem em conluio com as condições culturais que as produzem, reproduzindo em vez de transformar justamente aquilo que provoca o protesto. Nesse sentido, é significativo que a histeria e a anorexia chegaram ao ápice durante períodos históricos de reação cultural contra as tentativas de reorganizar e redefinir os papéis masculino e feminino. A patologia feminina revela-se como uma formação cultural através da qual uma potencialidade para a resistência e a rebelião é manipulada para servir à manutenção da ordem estabelecida (BORDO, 1997: 75).
Na histeria, na agorafobia e na anorexia, o corpo das mulheres pode ser visto como uma superfície na qual as construções funcionais da feminilidade são expostas rigidamente ao exame, através de suas inscrições, em forma extrema ou hiperliteral. É como se esses corpos nos falassem da patologia como protesto – inconsciente, incipiente e contraproducente, sem recorrer à linguagem propriamente dita, à voz ou à política.
O corpo emaciado da pessoa com anorexia apresenta-se como uma caricatura do ideal contemporâneo de esbelteza exagerada para as mulheres, um ideal que, apesar da resistência irônica das diferenças raciais e étnicas, tornou-se uma norma para as mulheres de hoje. Podemos considerar que o corpo de uma pessoa com anorexia numa certa medida traduz as normas que regem a construção da feminilidade contemporânea.
Por um lado, nossa cultura ainda apregoa concepções domésticas de feminilidade, amarras ideológicas para uma divisão sexual do trabalho rigorosamente dualista, com as mulheres como principal nutridora emocional e física. As regras dessa construção de feminilidade, seja numa linguagem simbólica ou literal, exigem que as mulheres aprendam como alimentar outras pessoas, não a si próprias, e que considerem como voraz e excessivo qualquer desejo de auto- alimentação e cuidado consigo mesmas. Dessa forma, conforme Chernin (1981:77) exige-se das mulheres que desenvolvam uma economia emocional totalmente voltada para os outros.
A fome feminina é retratada como algo que precisa ser refreado e controlado e o comer feminino é visto como um ato furtivo, vergonhoso, ilícito, como nos comerciais da Nestlé, onde um “minúsculo pedacinho” de chocolate, saboreado em particular, vem a ser a generosa recompensa por um dia de cuidados dedicados aos outros. Para Bordo (1989) o controle do apetite feminino passa a ser uma expressão mais concreta da norma geral que rege a construção da feminilidade, de que a fome feminina – por poder público, independência, gratificação sexual – deve ser contida e o espaço público que se permite às mulheres deve ser circunscrito, limitado.
Steiner-Adair (1987) revela uma associação entre problemas com alimentação, imagem do corpo e competição da supermulher profissional. Numa série de entrevistas com universitárias divididas em dois grupos – um que expressava ceticismo quanto ao ideal da supermulher, outro que aspirava inteiramente o mesmo, a administração de testes de diagnóstico revelou que 94% do grupo das supermulheres encaixaram-se na escala das desordens. No outro grupo, 100% das jovens mulheres pareciam perceber, conscientemente ou através de seus corpos, a impossibilidade de simultaneamente atender às demandas de duas esferas sociais ( público e privado), cujos valores têm sido historicamente definidos em franca oposição uns aos outros. Quando se toma conhecimento das muitas autobiografias e estudos de caso de pessoas histéricas, anoréxicas e agorafóbicas, impressiona o fato de que estas são realmente mulheres do tipo que se espera devam ficar frustradas pelas repressões de um papel feminino específico. Freud e Breuer, em seus Estudos sobre a Histeria (e Freud no posterior Dora), fazem constantes comentários sobre a ambição, independência, capacidade intelectual e esforços criativos de pacientes. Tornou-se um virtual clichê a idéia de a típica anoréxica é perfeccionista, procurando se superar em todas as áreas de sua vida. Embora de forma menos acentuada, um tema similar existe na literatura sobre agorofobia.
Para Hunter (1985:114) e muitas outras feministas trabalhando com categorias lacanianas, o estudo semiótico é tanto regressivo quanto uma comunicação “expressiva” endereçada ao pensamento patriarcal, a uma forma auto-repudiante do discurso feminino, na qual o corpo exprime aquilo que as condições sociais tornaram impossível dizer lingüisticamente. “As histéricas acusam, apontam, elas zombam da cultura” escreve Clément em The Newly Born Women (1986:42). No mesmo livro, Cixous fala
[...] daquelas mulheres histéricas maravilhosas que submeteram Freud a tantos momentos de volúpia, vergonhosos demais para serem mencionados, bombardeando seu estatuto mosaico/lei de Moisés com sua linguagem corporal, carnal, apaixonada, acossando-o com suas inaudíveis denúncias fulminantes. (CIXOUS, 1986:95).
Para Cixous, Dora, que tanto frustrou Freud, é “[...]um exemplo essencial da força protestadora das mulheres”. The Newly Born Women (1986:95)
O paradoxo da anorexia do poder
A magreza [minha doença] era sobre poder. Isso era o máximo... Algo que eu podia jogar na cara das pessoas e elas olhavam para mim e eu pesava pouco, mas era forte e tinha controle (Kim Morgan, entrevistada no documentário The Waist Land: Eating Disorders in América, 2005, Gannett Corporation, MTI Teleprograms).
A anoréxica está engajada numa “greve de fome” como diz Ohrbach (1985; 2006). Sua capacidade de viver com uma ingestão mínima de alimento permite-lhe sentir-se poderosa e digna de admiração num mundo “[...]do qual ela se sente excluída no mais profundo nível” e desvalorizada (OHRBACH, 2006:35).
O ideal de esbelteza, junto com dietas e os exercícios emagrecedores, oferecem a ilusão de cumprir, através do corpo, as exigências contraditórias da ideologia contemporânea de feminilidade. Na busca pela esbelteza e na negação do apetite, a construção tradicional da feminilidade cruza com a nova exigência para as mulheres incorporarem os valores “masculinos” da área pública: autocontrole, determinação, calma, equilíbrio emocional, domínio, na medida que elas penetram em áreas profissionais; em contrapartida devem manter as virtudes tradicionalmente “femininas”. Os corpos femininos falam agora dessa necessidade em sua configuração corpórea reduzida, enxuta.
Diz a ex-anoréxica Aimée Liu, lembrando-se dos dias em que passava fome: “Serei pelo menos dona do meu próprio corpo, eu juro... combustível psíquico, não preciso de mais nada e de mais ninguém ” (LIU,1979:36). Através da anorexia, paradoxalmente, na mente de algumas mulheres, descobre-se como um corpo cada vez mais minguado é admirado, nem tanto como objeto estético ou sexual, mas pela força de vontade e autocontrole que projeta. O corpo –seios, ancas e estômago arredondado – começa a perder suas tradicionais curvas femininas, começa a se parecer mais com um corpo masculino, esguio e magro, e dá assim a impressão de estar fora do alcance da dor “[...]invulnerável, lisa e dura como os ossos delineados na minha silhueta” (LIU,1979:36). Despreza em particular todas as partes do corpo que continuam a caracterizá-la como fêmea. ”Se, pelo menos eu pudesse eliminar os meus peitos” diz Liu, “cortá-los fora, se necessário” (1979:99). Para ela, como para muitas mulheres anoréxicas, os seios representam a parte estúpida, inconsciente, vulnerável do ser (BORDO, 1985:45). O simbolismo corporal de Liu é perfeitamente congruente com as associações dominantes.
Através da anorexia, por outro lado, as mulheres descobrem inesperadamente uma entrada para o privilegiado mundo masculino, uma maneira de se tornar o que é valorizado em nossa cultura e, sobretudo, uma maneira de se colocar a salvo. Paradoxalmente, descobre isso perseguindo ao extremo um comportamento feminino convencional – nesse caso, a disciplina de aperfeiçoar o corpo como objeto.
Não surpreende que a anorexia seja sentida como libertadora: a anoréxica lutará com a família e terapeutas, num esforço de se manter firme, combatendo até a morte, se necessário. Essa experiência de poder é, obviamente, profunda e ilusória. Remodelar um corpo para torná-lo mais masculino não é ganhar poder e privilégios masculinos. Sentir-se autônoma e livre enquanto atrela corpo e alma a uma atividade obsessiva é servir a uma ordem social, que limita as possibilidades femininas, e não transformá-la.
A beleza e suas percepções pelo mundo
O estudo global de 2005 denominado “A Verdade sobre a Beleza” realizado em 10 países pela Dove em parceria com a Universidade de Harvard e London School of Economics, mostrou que as mulheres acreditam em uma definição mais abrangente de beleza do que a visão e ideais estreitos retratados hoje em dia.
O estudo buscou analisar a maneira como as mulheres pensam e falam sobre beleza e imagem corporal, com o objetivo final de ajudá-las a superar estereótipos danosos e abraçar maneiras saudáveis, autênticas e positivas de auto-imagem.
Uma das constatações é a de que a construção de crenças sobre a beleza se inicia cedo, com a metade (54%) das mulheres dos dez países em tela dizendo que tomaram ciência da necessidade de serem fisicamente atraentes entre 6 e 17 anos de idade. Também mostrou o estudo que aquilo que as mulheres aprendem sobre a beleza pode provocar um impacto negativo sobre a maneira como pensam sobre si e sobre suas vidas, mais notadamente sua auto-estima. Com a finalidade de desenvolver um entendimento mais positivo de beleza e imagem corporal e, por sua vez, auto-estima, o estudo buscou entender a natureza e a transmissão de crenças sobre o corpo, bem como as mudanças que as mulheres gostariam de ver em relação às outras mulheres.
A fase I do estudo consistiu em uma revisão detalhada da literatura, examinando pesquisas e materiais existentes sobre a socialização de beleza e seu impacto sobre a auto-estima. Esta revisão ajudou a identificar os conhecimentos existentes sobre o tema, além de deficiências nas informações relevantes à discussão. A pesquisa foi conduzida pelas pesquisadoras: Dra. Nancy Etcoff, professora da Universidade de Harvard e autora de “Survival of the Prettiest” publicado em 2000 e Dra. Susie Orbach ,professora visitante da London School of Economics e autora de “Fat is a Feminist Issue” de 2006.
A fase II consistiu em uma pesquisa quantitativa com 3.300 meninas e mulheres com idade entre 15 e 64 anos, em 10 países. Foram feitas 1.000 entrevistas com meninas entre 15 e 17 anos de idade e 2.300 entrevistas com mulheres entre 18 e 64 anos de idade. As entrevistas foram feitas em cada um dos seguintes países: Estados Unidos (USA), Canadá (CAN), México (MEX), Brasil (BRA), Reino Unido (GBR), Itália (ITA), Alemanha (DEU), Japão (JPN), China (CHN) e Arábia Saudita (SAU).
Cabe ressaltar que ao realizar pesquisas com vários países foi importante considerar diferenças culturais que possam influenciar os dados. As mulheres no Brasil e na Arábia Saudita tendem a ter uma pontuação mais alta nas escalas, por motivos diferentes. Nota-se isso especialmente na avaliação de auto-satisfação na Arábia Saudita e no Brasil, onde as crenças religiosas exercem um papel significativo. As mulheres no Japão e China tendem a responder a pesquisas de maneira mais modesta, raramente escolhendo respostas que indicam alta concordância com as perguntas propostas ou expressão explícita sobre a beleza, em particular em auto-avaliações.
O desejo de espelhar uma beleza idealizada faz com que nove entre dez mulheres entre 15 e 64 anos queiram mudar algum aspecto de sua pessoa: as preocupações principais são o peso e a forma do corpo. E estes ideais criam mais ansiedade entre mulheres jovens de 15 a 29 anos, não chega a surpreender que queiram mudar sua aparência mais do que as mulheres com idade superior a 30 e 64 anos, como explicita o gráfico seguinte, que compila as respostas a questão: Q16. - Pensando em quem você é hoje, quais, se for o caso, dos seguintes aspectos de sua pessoa você mais gostaria de mudar
Gráfico 1. Aspectos de aparência que mais querem mudar

Total de mulheres entre 15 a 64 anos Fonte: Estudo Global Dove (2005).
Dos principais aspectos que as mulheres mais querem mudar em todos os países pesquisados, o peso do corpo é o mais importante, tanto para as jovens entre 15 a 17 anos, quanto para as adultas entre 18 e 64 anos, seguido pela altura, para as meninas e forma do corpo para mulheres. Não surpreende que adolescentes entre 15 e 17 anos, mais suscetíveis à acne facial e manchas, devido a seu desenvolvimento em curso, sejam significativamente mais propensas do que as mulheres entre 18 a 64 anos a citarem o desejo de mudar a tez e a aparência de seu rosto.
De todos os países estudados, as mulheres entre 15 a 64 anos do Japão, seguidas pelas mulheres da Grã Bretanha, tinham maior desejo em fazer mudanças físicas, enquanto as italianas tinham o menor índice.
Os atuais ideais de beleza criam um desejo de perfeição que deixa muitas mulheres ao redor do mundo com sentimentos de ansiedade e inadequação em relação à aparência.
Nos países estudados, a maioria das mulheres entre 15 e 64 anos acredita que beleza é muitas vezes definida pelos atributos físicos de maneira muito estreita. Esta crença é compartilhada igualmente por adolescentes de 15 a17 anos e adultas entre 18 e 64 anos em todos os países pesquisados, embora de maneira menos expressiva na China.
Este ideal de beleza física cria uma ansiedade sobre a aparência entre as mulheres entre 15 e 64 anos, em particular meninas de 15 a 17 anos, que acreditam ser difícil se sentirem bonitas, quando confrontadas com estes ideais e quanto mais nova a menina/mulher, mais profunda sua influência. Este sentimento foi compartilhado em nível regional - embora menos predominante na Ásia. Meninas de 15 a 17 anos na Grã Bretanha sentiram o impacto destes ideais de maneira mais significativa do que as meninas em todas as outras regiões.
Uma a cada dez meninas, em nível global, lembra que sua preocupação com a aparência física, facial, peso e forma do corpo começou entre 6 e 11 anos, com maior expressão entre 12 e 14 anos. A idade média em que a preocupação com aparência física, peso e forma do corpo começou foi entre 13 e 14 anos de idade, globalmente. De maneira importante, quanto mais novas as meninas (15-17), quando se preocupam com sua aparência física geral (peso e forma do corpo), mais negativo o impacto sobre sua auto-satisfação e auto-estima. Conviver com os ideais de beleza pode ter uma influência negativa sobre a maneira como as mulheres valorizam sua aparência física e a maior insatisfação ocorre, em nível global, em relação ao peso e a forma do corpo.
Há de se considerar com atenção que somente duas mulheres em cada dez estão muito satisfeitas com sua aparência física geral, peso e forma corporal; menos de duas mulheres em cada dez acreditam ter auto-estima muito alta. De maneira interessante, as mulheres que são mães são significativamente mais propensas de que aquelas que não o são a estar insatisfeitas com sua aparência física geral, o peso e a forma do corpo.
Em nível global, em relação aos países do estudo, existe uma relação significativa entre a satisfação com a parte física e o senso de auto-valor das mulheres. Nessa pesquisa ,as mulheres tem um senso de auto-valor positivo é mais propensa a estar satisfeita com a parte física. Em comparação, quando tem uma opinião negativa sobre si, é menos propensa a estar satisfeita com sua parte física. Na pesquisa Dove, para 50% das mulheres (15-64) estudadas o vínculo é claro: dizem que quando se sentem mal em relação a elas mesmas, geralmente tem a ver com sua aparência ou peso.
Engajamento em práticas de beleza
Dados da pesquisa Dove (2005) demonstram que enquanto a maioria das mulheres entre 15 a 64 anos utiliza práticas de beleza convencionais para melhorar sua aparência, uma minoria significativa está adotando métodos mais extremos também. As primeiras (15-64), adotam práticas de beleza como o uso de maquiagem, manicure e alisamento dos cabelos, para melhorar sua aparência física. Estas práticas são compartilhadas entre meninas (15-17) e mulheres (18-64). De maneira semelhante, estas práticas são correntes em todos os dez países pesquisados,com exceção da Arábia Saudita, que mostrou o menor nível destas práticas. No entanto, parece haver uma mudança entre gerações na Arábia Saudita, com maior probabilidade da participação das meninas sauditas (15-17) nestas atividades do que das mulheres (18-64) sauditas (49% vs. 29%).
Dos países estudados, quatro mulheres de cada dez (15-64) relatam ter feito dieta. De maneira importante, notam-se diferenças significativas na prática de dietas. Seis mulheres, em cada dez (18-64), no Canadá e Grã Bretanha, e cinco em cada dez (18-64) no Japão, EUA, Brasil e Alemanha dizem ter feito dieta em algum momento da vida. O menor índice de dieta ocorreu na China e Arábia Saudita (18-64).
De maneira geral, dietas eram mais comuns entre mulheres (18-64) do que entre meninas (15-17). Meninas japonesas (15-17) tiveram o maior nível de dietas relatadas, a metade de todas as meninas japonesas (15-17), em comparação com meninas de todos os outros países ; segue-se o Brasil, Alemanha, Grã Bretanha e México, uma prática relatada por quatro de cada dez meninas (15-17). Às vezes, sentir- se mal em relação a si mesma provoca uma falta de engajamento na vida cotidiana. Dois terços da totalidade das mulheres (15-64 já evitaram uma atividade, devido a sentimento negativo em relação a sua aparência, prática esta predominante entre as meninas (15-17), mais vulneráveis aos ideais de beleza. Não surpreende que atividades que revelem ou mostrem sua aparência física, como ir à praia, ao clube, comprar roupas ou praticar uma atividade física, estavam entre as mais freqüentemente evitadas.
De maneira mais preocupante, várias mulheres (15-64), em particular meninas (15-17), não participaram de atividades como dar sua opinião, fazer uma entrevista de emprego, ir à escola ou trabalho, pois se sentiam mal em relação à sua aparência. Além disso, uma mulher em cada dez (15-64) coloca sua saúde em risco evitando consultar um médico por causa de sentimentos negativos em relação à própria aparência, mais freqüente no Japão, especialmente entre as adolescentes. As mulheres do Japão tiveram os mais altos níveis de recusa quanto a este tipo de atividades , dentre todos os países pesquisados.
Fatores que influenciam sentimentos em relação à beleza e imagem do corpo
Como muitas meninas (15-17) começam a se preocupar com a aparência física geral, em média, entre 13-14 anos de idade, não chega a surpreender que os primeiros e mais poderosos fatores influenciadores sobre sentimentos de beleza e imagem corporal sejam as amigas (pares) e as mães, seguidos pela mídia.
Gráfico 2 : Primeira influência – Beleza e imagem corporal
Q17. – Escolha DUAS das seguintes pessoas ou coisas que tiveram a primeira influência sobre seus sentimentos em relação a sua própria beleza e imagem corporal?
Total de mulheres 15-64
Fonte: Estudo Global Dove 2005
Para a maioria dos países pesquisados, amigas e mães exercem um papel Quanto mais velha a mulher, mais poderoso o papel do parceiro romântico. Isso não quer dizer que meninos / homens não exerçam papéis importantes no sentido de influenciar os sentimentos de meninas (15-17) e mulheres (18-64), especialmente como parceiros românticos, em geral, e como pais.
No entanto, em países como o Japão e Itália, o papel da mãe é muito menos acentuado de que nos outros países pesquisados. Para as mulheres japonesas (15-64) este papel é substituído pela mídia e celebridades, enquanto na Itália é substituído por meninos em geral e parceiros românticos.
Enquanto amigas e mães têm papéis fundamentais como primeiros fatores influenciadores, a natureza da influência é muito diferente, com as mães tendo uma influência muito mais positiva sobre a satisfação física da menina e as amigas (pares) tendo uma influência mais negativa sobre a satisfação física da menina. Esta influência negativa é ainda mais profunda quando a mídia e as celebridades são as principais fontes de primeira influência sobre os sentimentos das mulheres em relação a sua beleza e imagem corporal.
Além disso, quando as mães são relatadas como sendo a influência primária, é mais provável que outros familiares exerçam um papel significativo e, em termos comparativos, a mídia um papel menos significativo. No entanto, quando as amigas (pares) são relatadas como sendo a influência primária, as mães e outros familiares exercem um papel muito menos significativo, com a mídia e celebridades exercendo um papel mais significativo.
Somente a metade das mulheres (15-64), em nível global, acredita que as idéias de beleza da mãe formaram suas próprias idéias – com uma resposta muito mais baixa na Itália do que em qualquer outro país. Embora seis em cada dez mulheres (15-64), participantes da pesquisa,acreditem que suas mães influenciaram seus sentimentos em relação a si mesmas e sua beleza de maneira positiva é menos provável que as japonesas concordem com isso.
Outro dado relevante é o de quanto mais nova a mulher, mais provável que ela concorde que a mãe tenha influenciado seus sentimentos em relação a sua beleza de maneira positiva – e é mais provável que as meninas (15-17) concordem.
Considerações finais
No mundo atual, as mulheres têm mais poder, reconhecimento legal, e tem alcançado sucesso profissional de forma nunca vista. O corpo vem sendo discutido nas lutas públicas das mulheres e propostas vêm sendo inseridas nos planos de governo.
Goldenberg (2007) afirma no seu estudo sobre o comportamento das mulheres brasileiras diante do próprio corpo que por mais intelectualizadas e politizadas que sejam as mulheres brasileiras ainda tem a própria imagem como principal referência de inserção social. “[...]Nem mesmo as mais feministas ou desencanadas com a beleza conseguem escapar da sina” (GOLDENBERG, 2007:33). A autora explica que “[...]desde a colonização, o corpo e a sexualidade das mulheres brasileiras impuseram uma preocupação excessiva com a própria aparência, pois o “sucesso” está sempre atribuído a ela”. (GOLDENBERG, 2007:39).
Em um estudo comparativo entre brasileiras e alemãs, Goldenberg (2007) relata a oposição de valores existentes entre as duas. Na Europa, segundo a pesquisadora, a preocupação maior é em relação à independência econômica, ao bem-estar e à saúde. Assim sendo, as roupas chegam a ter mais importância que o próprio corpo. “A espanhola faz topless na praia, sem se importar se seu seio está caído, porque quer tomar sol no colo. Poucas se privam pela estética por achar isso fútil e até indigno”. (GOLDENBERG, 2007:71). Na Alemanha, foco do estudo, essa valorização do intelecto e da emancipação em detrimento do corpo é sinal de um cenário de país com tradição forte de guerra, de uma cultura protestante, da formalidade nas relações. “A cultura e a história do país realçam alguns atributos na mulher e sucumbem outros, ditam o que deve ser mudado e o que deve ser ostentado”. (GOLDENBERG, 2007:77).
Não podemos negar os benefícios da dieta, do exercício e de outras formas de “administração” do corpo. A problemática maior estaria na escravização que esse processo causa. Porém a preocupação excessiva com a estética está muito ligada à aceitação em sociedade, levando muitas vezes, como vimos, a patologias quando extremada.
A beleza vazia, padronizada, que excede os limites do corpo exagerando nas práticas para se obter um “corpo idealizado socialmente” é um caminho que devemos estar atentas para não seguirmos. Mas vejo nossos corpos como um local de luta, onde temos que trabalhar para manter nossas práticas diárias a serviço da resistência à dominação de gênero e não a serviço da “docilidade” e da normatização.
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[1] Pesquisadora de Mulheres e Mercado de Trabalho – Autora do livro Mulheres no Topo de Carreira: Flexibilidade e Persistência e Trabalho de Mulher: Mitos, Ritos e Transformações (Org.). Doutoranda em Psicologia Social e do Trabalho – Universidade de Brasília – taniafontenele@gmail.com
[2] Biólogo e psicólogo britânico nascido em Kingston, Ontário, defensor das teorias de Charles Darwin, aplicando-as a psicologia. Fundou a Romanes Chair of Biology, da Oxford University, e escreveu Animal Inteligence o método anedótico de estudo do comportamento dos animais (1882) e Mental Evolution in Animals, Mental Evolution in Man e Darwin and After Darwin . Foi eleito Fellow da Royal Society (1879).
[3] Susan Faludi utiliza esse termo para título de seu livro, no original, Blacklash, que analisa a reação conservadora aos feminismos nos Estados Unidos dos anos 80.
