Pesquisa revela que programas de paridade entre sexos não têm sido efetivos
06/03/2010 12:54
| Tânia Fontelene, pesquidadora do Centro de Pesquisa Aplicada da Mulher |
O estudo, realizado com 1.834 participantes, revelou que em 75% das empresas a alta administração não implantou a paridade entre homens e mulheres como prioridade visível e declarada, enquanto 80% das empresas não alocou recursos nem fez investimentos adequados para as iniciativas.
Segundo Orit Gadiesh, presidente do conselho da Bain e coautor do estudo, "é possível conquistar a paridade entre os sexos no local de trabalho se os líderes das empresas adotarem uma abordagem sistemática e personalizada para descobrir o que prejudica a trajetória das mulheres nas organizações".
A conclusão a partir dos resultados foi de que falta de processos estruturados, ações bem sucedidas e o amplo monitoramento da paridade entre os sexos - em todos os níveis da organização - são as principais causas da continuidade na estagnação de muitas mulheres que aspiram ocupar cargos de liderança em suas carreiras.
A pesquisadora do Centro de Pesquisa Aplicada da Mulher e autora do livro Mulheres no topo de carreira: persistência e flexibilidade, Tânia Fontenele, concorda que definitivamente, nos cargos mais elevados, não há paridade entre os sexos. "Nos cargos intermediários ou na base da pirâmide isso não é tão evidente, mas quanto mais alto ele for, menos a participação das mulheres", afirma ela.
No entanto, Tânia aponta outros fatores para essa falta de mulheres em postos de liderança: "Há um contexto sócio-cultural que interfere. Dependerá da mulher também, do seu perfil psicológico. Tem mulheres que querem trabalhar só seis horas diárias e quando se está em um cargo alto terão que trabalhar mais. E não dá para negar que existe preconceito, além de que como são homens que estão em cargo mais altos, eles acabam nomeando homens também".
Dentro das empresas, a pesquisa da Bain & Company mostrou que um dos grandes problemas enfrentados por elas é a insuficiência de dados para avaliar com precisão a situação atual da paridade entre os sexos. Menos da metade dos entrevistados sabia dizer se suas empresas conduziam avaliações sobre o percentual de mulheres contratadas, de mulheres promovidas ou de mulheres mantidas em seus cargos.
Outro impasse é a comunicação. As corporações têm dificuldade de comunicar ou estimular a participação de seus empregados no projeto e na contribuição para o programa de paridade entre os sexos em suas organizações. Aproximadamente 60% dos entrevistados relataram que suas empresas não solicitam nenhuma informação sobre o desenvolvimento de iniciativas de paridade entre homens e mulheres.
Quanto aos sacrifícios em nome da família, homens e mulheres se comportam de forma diferente. Dos homens, 56% concordaram que tanto o homem quanto a mulher pode ser o principal responsável pelos cuidados de uma criança, em comparação com 80% das mulheres. Quase 80% dos homens concordaram que suas esposas ou parceiras sacrificariam as carreiras, enquanto apenas 45% das mulheres declararam que seus esposos ou parceiros fariam o mesmo. As mulheres relataram que estão duas vezes mais propensas a seguirem uma carreira flexível, ou a tirarem licenças, e estão três vezes mais propensas a trabalharem meio período.
